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CARTAS DE AMOR - AMOR IMPOSSÍVEL




CARTAS DE AMOR - AMOR IMPOSSÍVEL

As palavras não me ocorrem perante a imensidão do sentimento que me invade o peito. Digo-te aquilo que adivinhas pois os meus olhos e os meus gestos não o conseguem esconder. Amo-te! Amo-te desde o primeiro dia em que entrei na empresa e tu me abriste a porta. Os nossos olhares cruzaram-se e, por instantes, olhamo-nos sem pestanejar. Senti que tinha encontrado a minha alma gémea. O meu coração acelerou quando me estendeste a mão e te apresentas-te. Apenas uma semana depois soube que eras casada. Chorei a noite toda. Não conseguia aceitar que não fosses livre para poder aceitar o meu amor e retribuí-lo como eu tanto desejava.

Desde esse dia vivo em conflito: amo-te e por isso quero estar a teu lado, mas não suporto estar a teu lado, sem poder manifestar-te o meu amor. Quero fugir dessa empresa, não quero mais ver-te se não te posso ter, mas não consigo suportar a ideia de não te ver todos os dias. Tu és o sol que ilumina o meu dia, mas és também a lua negra que me oprime durante a noite, impedindo-me de dormir. Tu és senhora do meu pensamento, és dona da palavra que dita a minha felicidade.

Fazer-te feliz é tudo o que quero na vida, mas saber-te feliz ao lado do teu marido é um sentimento tão doloroso que não consigo expressá-lo em palavras. Ver-te chegar jovial, todos os dias, com o teu porte elegante o teu sorriso bonito é como ver o sol entrar pela porta. Esqueço que não podes ser minha e sonho acordado com uma vida a teu lado. Qualquer pretexto serve para falar contigo. Bebo as tuas palavras como se fossem o soro da vida, sem conseguir tirar o meu olhar de ti. Tudo em ti é belo. Meu Deus, tu és a mulher perfeita! Nos dias em que decides vir almoçar com os mais jovens eu sonho que almoçamos apenas os dois. Não sei o que como ou o que bebo, apenas sei que almocei contigo.

Ver-te partir, ao final do dia, sabendo que vais entregar-te nos braços do homem que amas, provoca-me um ataque de pânico. Sinto o peito oprimido de forma tão intensa que não consigo respirar. Levanto-me. Ando pela sala tentando concentrar o meu pensamento em algo diferente. Sufoca-me este amor que tanto alento me dá!

Sinto que não devo mas vou terminar a carta e entregar-ta. Preciso de ter a certeza que sabes aquilo que sinto por ti. Preciso de saber se também sentes algo semelhante por mim. Preciso de saber se devo continuar a teu lado, pois existe esperança para o nosso amor ou se devo afastar-me e tentar esquecer-te, se é que isso é possível. Assim não consigo viver. Será esta carta alguma vez lida? Uma mulher casada não poderá guardá-la, provavelmente nem lê-la.
O meu amor tem o tamanho do Universo, a luminosidade do Sol, a profundidade do Oceano e a intensidade da Tempestade, mas pode muito bem ser apenas um amor impossível!

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