Avançar para o conteúdo principal

A OUTRA



A OUTRA

Lisboa, hospital Lusíadas. O monitor do UTI disparou. «Emergência quarto 12» Gritou uma enfermeira. A mulher sentiu que despertava. Na memória, a imagem vaga dos polícias e ambulância «Será que tudo não passou de um sonho?» Interrogou-se. O corpo manietado e aquela sensação de frio, que lhe invadia as entranhas, estavam bem presentes. Tempos horríveis! O medo tomou novamente conta dela e o corpo entrou em convulsões. A visão turva permitiu-lhe distinguir a silhueta familiar do seu carcereiro, debruçando-se sobre ela. «Novamente a tortura!» Pensou em desespero. A vestimenta e máscara, brancas como a cal. «Agora estão de azul?» Perguntou-se.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O SEMÁFORO

O SEMÁFORO Na cidade do Porto, numa rua íngreme, como tantas outras, daquelas que parecem não ter fim, há-de encontrar-se um cruzamento de esquinas vincadas por serigrafias azuis, abertas sobre azulejos quadrados, encimadas por beirais negros de ardósias, que alinham, em escama, até ao cume e enfeitadas de peitoris de pedra, sobre os quais cai a guilhotina. Estreita e banal, sem razões para alguém perambular, esta rua, inaudita, é possuidora de um dispositivo extraordinário, mas conhecido de muito poucos: Um semáforo a pedal, que sobreviveu, ao contrário dos “primos”, tão em voga na década de sessenta, na América Latina. No início do século XX, o jovem engenheiro, François Mercier, de génio inventivo, mudou-se para o Porto. Apesar do fracasso em França e na capital, convenceu um autarca de que dispunha de um dispositivo elétrico e económico, bem capaz de regular o trânsito dos solípedes de carga, carroças, carros de bois a caleches, dos ilustres senhores. O autarca ...

MUDANÇA

Caros seguidores, Por razões de eficiência e eficácia, decidi mudar a ancoragem do Blog, deixando O BLOGGER.COM e passando para o WORDPRESS. Assim, se quiserem continuar a seguir os meus escritos, agradeço que sigam o link em baixo  e façam clik na barra de seguir. https://opensamentoescrito.com/   Obrigado pelo vosso apoio que espero se mantenha neste novo formato. Cumprimentos

A JORNALISTA | PARTE VII | CAPÍTULO 3

A JORNALISTA | PARTE VII | CAPÍTULO 3 – Marcus   Mónica era uma mulher exuberante que possuía um corpo escul tural. Apesar disso, escondia-o  atrás de roupas práticas que, não a beneficiando, não conseguiam anular o impacto que tinha no sexo oposto. Estava pronta. Olhou-se ao espelho e sorriu. Estava na hora. Apesar de ter uma cópia da chave decidiu bater à porta. Perestrelo viu o rosto dela pelo óculo e abriu a porta. Ficou embasbacado a olhar para ela, de tal forma que não lhe franqueou a entrada.   «Posso entrar ?» D isse M ónica com um sorriso zombeteiro.   «Claro… Desculpa!»    Perestrelo afastou-se para ela entrar, mas continuava  boquiaberto . Mónica envergava um vestido  vermelho, de tecido, que se ajustava às formas dela como uma luva. O decote, generoso, deixava os seios espreitar como se quisessem libertar-se da prisão que este representava. O colar de pérolas enfeitava-lhe o colo dando um toque de classe ao vestido. Os sapatos de salto...