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Take 3 - Amor endiabrado







Take 3 - Amor endiabrado

Pedro,
A nossa história, apesar de curta, é uma sucessão de mal-entendidos. Isso determinou os nossos atos e marcou-nos profundamente. No entanto, não impediu a aproximação dos nossos corações.
Ao mesmo tempo que a razão encontrava motivos para assumir comportamentos que nos separaram, o coração encontrou formas de nos unir que nos ultrapassaram a nós próprios.  Quando te foste embora, o teu olhar sofredor dizia-me que também tu sentias algo por mim, mas a tua fuga precipitada lançou a dúvida no meu coração. Decidi que queria saber como deveria olhar para ti, fosse qual fosse o teu olhar sobre mim. Enquanto esperava a tua resposta, sonhei, mas de tanto esperar quase desesperei.
Sonhei que o amor entre nós era possível. Sonhei que os teus lábios invadiam a minha intimidade. Os teus beijos cobriam o meu corpo como se fossem um manto de seda. Enquanto as tuas mãos me desnudavam em carícias, que me conduziam à loucura. Sonhei que a minha boca recebia a tua, num encontro devorador. As línguas digladiavam-se, num duelo pacífico em que o importante não era ganhar ou perder, mas apenas dar prazer. Quando os lábios, já saciados, se fechavam, os corpos uniam-se num bailado cujo ritmo frenético, apenas era interrompido pela satisfação do desejo que os consumia. Éramos amantes sem o saber.
Nos meus sonhos os momentos de prazer e felicidade eram interrompidos por um pesadelo constante: a tua rejeição. Nesses momentos de tortura, acordava com os olhos rasos de água e a angústia oprimindo-me o peito. A dor desse acordar era tão real que era tomada por um sentimento de perda definitivo, que me consumia as forças. Finalmente adormecia de cansaço, apenas para voltar a sonhar contigo. Não encontro explicação racional para este estado. Nós somos apenas dois desconhecidos, que passaram uma noite juntos a conversar. Ou será que não? Talvez tu sejas a minha alma gémea, aquele que esteve unido a mim, em vidas passadas e que, por qualquer razão, estejamos destinados a encontramo-nos, nesta vida, para nos amarmos para todo o sempre. Não sei explicar este sentimento, mas o importante é que não quero combatê-lo, quero antes vivê-lo. Quero estar a teu lado para partilhar contigo a minha felicidade. Quero partilhar a luz do dia que ilumina a minha face e me faz sorrir. Quero partilhar o sol que faz brilhar os meus cabelos. Quero partilhar as horas, os dias e os anos da minha vida contigo. Quero partilhar a minha casa e a minha cama. Quero que tudo isso deixe de ser apenas meu e que esse conceito egoísta desapareça. Quero que tudo passe a ser nosso.
Imagino os nossos rostos de felicidade, passeando pela rua, de mãos dadas e mostrando ao mundo o que é o verdadeiro amor. Imagino as alegrias das nossas vidas multiplicadas, porque seremos dois a senti-las e as tristezas divididas porque seremos dois a suportá-las. Imagino uma vida a dois e essa imagem penetra-me, possui-me e a energia que sinto tomar conta do meu ser torna-me invencível.
Vem. Vem ter comigo e vamos caminhar lado a lado. Vamos construir uma vida nossa. Vamos deixar que os pontos que nos unem se fundam e os que nos separam se liguem entre si, construindo uma ponte pela qual atravessaremos os precipícios da vida. Vem, que o futuro se encarregará do resto.
Com amor
Helena

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