Avançar para o conteúdo principal

POSTAL DE NATAL 2019




POSTAL DE NATAL 2019

A paz…
A paz geradora de tanta revolta,
Guerras fratricidas nos quatro cantos da terra…
Um reencontro: para quem já nada importa!
Campos queimados pelo fogo da Guerra.

O fogo…
O fogo, num peito que não se esgota,
Ardendo como as florestas do mundo.
A seiva de troncos queimados que não brota.
Um príncipe jogado num canto imundo!

A terra…
A terra que se revolta, defendendo o bom nome.
O degelo que ameaça tornar-se permanente.
Manifesta-se o ar: num e noutro ciclone
O homem ignorante, assassinando o seu meio ambiente.

Os atos…
Os atos cegos do homem que do caminho se desvia.
A ausência de partilha da abundância desperdiçada.
Ufano sentimento de uma grande sabedoria…
Belas palavras, que se traduzem em nada!

O amor…
O amor, esse sentimento perdido,
Num mundo cruel de abundante traição.
Chora sozinho num canto escondido,
Espera por alguém, que lhe estenda a mão.


O Natal…
 A esperança e o amor invadem o mundo inteiro.
Não ser verga o menino, recusa a socialização.
Cruxificado com pompa, num mísero madeiro…
Então como agora, paga-se o preço de dizer não!

O fim…
O fim, destino inexorável de tudo o que tem um começo.
Um juízo apressado: focado apenas no que correu mal!
Um ciclo que se encerra e no fim do ano já tropeço,
Uma prece que se eleva, só porque é Natal!

Comentários

  1. Olá, olá!
    Embora tenhamos escrito votos de natal para todos vocês num post do nosso blog queremos desejar-vos, um a um, um santo e feliz natal. Que 2020 seja melhor que 2019 em todos os aspectos.

    Beijinhos e abraços.
    Os Piruças

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Piruças,
      Penalizo-me pelo facto de apenas agora responder à vossa simpática mensagem de boas festas. dizem que mais vale tarde que nunca... Pois, como o Natal já passou e o novo ano está no princípio, aqui ficam os meus votos de um bom 2020. Beijos e abraços.

      Eliminar
    2. Obrigado.
      Boa continuação!

      Os Piruças

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

O SEMÁFORO

O SEMÁFORO Na cidade do Porto, numa rua íngreme, como tantas outras, daquelas que parecem não ter fim, há-de encontrar-se um cruzamento de esquinas vincadas por serigrafias azuis, abertas sobre azulejos quadrados, encimadas por beirais negros de ardósias, que alinham, em escama, até ao cume e enfeitadas de peitoris de pedra, sobre os quais cai a guilhotina. Estreita e banal, sem razões para alguém perambular, esta rua, inaudita, é possuidora de um dispositivo extraordinário, mas conhecido de muito poucos: Um semáforo a pedal, que sobreviveu, ao contrário dos “primos”, tão em voga na década de sessenta, na América Latina. No início do século XX, o jovem engenheiro, François Mercier, de génio inventivo, mudou-se para o Porto. Apesar do fracasso em França e na capital, convenceu um autarca de que dispunha de um dispositivo elétrico e económico, bem capaz de regular o trânsito dos solípedes de carga, carroças, carros de bois a caleches, dos ilustres senhores. O autarca ...

CORONAVÍRUS - A REVOLTA DO PLANETA

CORONAVÍRUS - A REVOLTA DO PLANETA Ainda o mundo não falava de pandemia, embora o vírus se espalhasse de forma rápida e silenciosa, e já este pensamento povoava os meus sonhos: O nosso planeta está a dar-nos um sinal. Hoje estou profundamente convicto de que isso é uma evidência e de que existe uma grande lição a retirar desta pandemia. A dúvida é se a humanidade terá ou não capacidade para apreender a lição e, sobretudo a colocar em prática. O planeta tentou de tudo. Se estivéssemos perante um ser humano, com todas as tecnologias atuais, à sua disposição, diria que começou por nos escrever uma carta, explicado o que estávamos a fazer mal, depois enviar um telegrama, mostrando-nos a importância de atuar. A humanidade ignorou. Telefonou-nos e, com voz afável, explicou que não podíamos prosseguir por este caminho, apareceu nos nossos instragram ou facebook, nos ecrãs das nossas televisões, mas mesmo assim a humanidade ignorou. Inundou-nos de tal forma com advertências que algun...

A AMIGA DO IRMÃO

A AMIGA DO IRMÃO Amélia era a todos os títulos o melhor partido da aldeia. Filha de um abastado proprietário, dividia o património com a irmã mais velha, sorte que o pai lamentava, pois sempre tinha querido um filho varão. Isso não o impedia de amar as duas filhas ao ponto de as idolatrar. Queria que elas tivessem uma sorte diferente da sua, a começar pela educação, pelo que eram das poucas moças da aldeia que estudaram até ao sétimo ano do liceu. A universidade era outra história: ele não estava preparado para as deixar ir, sozinhas, para o Porto, cidade mais próxima de Vila Real, onde a podiam frequentar. A irmã nunca quis estudar, mas Amélia ainda tentou, mas mesmo com o apoio da mãe, uma mulher com visão, foi tudo em vão. «Não quero sequer imaginar a minha filha sozinha, no meio do bando de galifões, que são estes pretendentes a doutores!» Manuel conheceu Amélia quando estava no quinto ano. A primavera tinha começado e ele fazia o caminho entre a casa e a escola a pé, com o irmão. ...